O ESPAÇO QUE NOS FALTA


Defendo aqui, mesmo que de forma breve pelo pouco espaço que tenho, a ideia de que os apartamentos e casas da pós-modernidade (câncer pós Revolução Francesa), tendem a ser construídos cada vez mais compactos, mas não por acaso. Pelo contrário, têm relação social e econômica direta com a desagregação e redução das famílias, a fragilização das relações conjugais, o aumento de divórcios, sendo mais um instrumento da guerra cultural que vivemos. É claro que outros fatores levam à desestabilização das famílias, mas vou me ater ao citado na parte inicial deste texto.

Espaços menores levam as famílias a serem menos numerosas; espaços menores dificultam a convivência de várias gerações num mesmo lar; espaços menores levam a necessidade de cada integrante da família a buscar a sua parcela de espaço, os seus redutos individualistas, isolando-se dos demais; espaços menores levam a compartimentos no imóvel menos diferenciados ou até a ausência deles, como por exemplo, a grande cozinha com a comprida mesa, onde a família se reunia para as refeições; ou a sala de estar, a biblioteca, locais de reuniões dos familiares.

Continuando: espaços menores levaram, historicamente, a facilitar o gerenciamento e operacionalização das louváveis tarefas do “santuário domiciliar”, propiciando a ambos os parceiros buscarem outras atividades “fora- do-lar”; espaços menores dificultam a permanência das crianças e adolescentes no reduto residencial ou em suas proximidades (jardins, quintais), trocando estes momentos por internações em creches em período integral, por exemplo; espaços menores dificultam a guarda de objetos familiares que fizeram parte da vida e identidade dos seus antepassados, dificultando a preservação da origem e da história familiar, importante fonte de preservação dos laços de parentesco. Como afirmava Dom Macedo Costa, Bispo do Pará, fatores esse que levam a uma “família precária, sem tradição, sem futuro.”

Costumamos comentar em nossas passagens pelas mídias, tanto virtual e presencial, que os problemas econômicos, sejam individuais ou coletivos, são resolvíveis em pouco espaço de tempo, em anos que por vezes não chegam a uma década. Já as questões morais, ou seja, os problemas de ordem moral, sejam individuais ou coletivos (como a desagregação da família), levam gerações para serem resolvidos, contornados ou pelo menos minimizados.

Em pouco mais de meio século perdemos o tempo e espaço que tínhamos em abundância. Hoje, a família sofre as consequências!

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