PRECONCEITO DE ESQUERDA


Durante o final do mês de agosto, e início do mês corrente, os principais canais de esporte de tv’s por assinatura transmitiram os jogos do torneio US Open, famosa competição americana de tênis de quadra. Assistindo a um confronto aleatório entre duas mulheres – por acaso uma negra e uma branca –, uma questão me veio à tona. Complemento a frase: foi a partir da vitória da jogadora de pele negra que algumas percepções me ficaram evidentes. Vamos a elas.

É natural que no confronto entre duas jogadoras em uma partida de tênis (ou em qualquer outro esporte individual) uma delas sagre-se vencedora. Infelizmente, em nosso mundo esquizofrênico e para alguns deturpados mentais, o caso que mencionei não se trate de uma simples disputa entre duas mulheres, sejam elas de quais cores fossem, mas uma luta histórica entre a classe negra e a classe branca; entre a Casa Grande e a Senzala; entre opressora e oprimida; entre “nós” e “eles”.

É justamente sob uma lente embaçada que movimentos ideológicos tentam sobrepor fatos históricos por uma realidade materialista, “resultado do embate de forças sociais”. Para os movimentos revolucionários radicais – seja o negro, o gay, o feminista, o abortista, o indigenista –, confrontos entre opostos são motivo para se resgatar um amontoado histórico que só faz aumentar e evidenciar preconceitos criados por esses próprios movimentos, de onde brota todo o ódio social moderno. Enquanto movimentos revolucionários se colocarem na falsa posição de liderança dessa parcela da população, sejam gays, lésbicas, índios, mas principalmente negros, estes continuarão a sofrer do preconceito e da intolerância.

Obviamente não se pode negar as conquistas desses movimentos em suas primeiras gerações, sem os quais a atleta negra jamais estaria jogando uma partida nesse tipo de evento. Mas as atuais campanhas negativas das alas radicais desses movimentos apagaram toda a autenticidade das conquistas históricas. Houve uma completa inversão na finalidade das estratégias desses movimentos, passando a perseguir os que não concordam com sua agenda.

A iniciativa do movimento negro em “buscar o diálogo”, “problematizar o preconceito”, “recuperar uma dívida histórica”, bem como as “ações afirmativas”, “cotas” e “democratização de direitos”, largamente aprofundam o preconceito enquanto escravizam seus militantes numa utopia intolerante, nascida das mesmas fileiras ideológico-revolucionárias.

Infelizmente, nosso mundo hipermoderno não é normal, e nós sabemos de quem é a culpa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *