MELHOR CAMINHO


Na semana passada, o Portal UOL publicou uma matéria em que divulgava o sucesso das políticas públicas brasileiras adotadas no combate à disseminação do HIV/AIDS. Segundo o autor da matéria, o Brasil vem adotando políticas públicas certeiras no combate à epidemia. Mas é preciso jogar mais luz sobre essa realidade e, infelizmente, contradizer em parte o que foi afirmado pelo jornalista: o Brasil está no caminho equivocado na efetiva luta contra o HIV/AIDS, e a estratégia precisa ser revista.

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer o leitor sobre a diferença entre HIV e AIDS. HIV é um vírus, que infectando o paciente e fragilizando seu sistema imunológico, propicia o surgimento de um cenário de deficiência imunológica adquirida (AIDS), desencadeando, nos pacientes, o surgimento de doenças conhecidas como oportunistas, como a pneumonia. Com a imunidade fragilizada pelo vírus, esses pacientes têm poucos meios de defesa biológica, padecendo e morrendo com mais frequência por doenças que seriam completamente tratáveis em pacientes não infectados pelo HIV.

Retornando ao artigo, de acordo com o autor, “a redução de mortes por HIV e a redução da transmissão vertical do vírus, isto é, a transmissão entre mãe e filho/a, durante a gestação” devem ser tratados como um caso de sucesso no combate à epidemia. Mas será que há motivos para comemorar? Em uma rápida análise nos parece que sim, mas precisamos ir além disso se queremos efetivamente reduzir os alarmantes índices de contaminação.

A expressiva quantidade de jovens que se infecta no Brasil – aumentando ano após ano os índices de contaminação por uma população cada vez mais jovem, principalmente entre o público gay -, deve ser analisada como um sinal catastrófico da expansão da epidemia de HIV/AIDS em nosso país. O combate social à epidemia deve ser centrado numa educação sexual que tenha como base a conscientização sobre os efeitos positivos da abstinência sexual juvenil, sob uma perspectiva de postergação da primeira experiência sexual. Mas o que se vê é um incentivo precoce à sexualidade; o encorajamento às experiências sexuais diversificadas; a incitação e busca desmedida por prazer, à promiscuidade sexual, à sexualidade estéril; o desrespeito à preservação dos corpos, tudo isso sob farta distribuição de camisinhas e anticoncepcionais.

É válido comemorar a redução de mortes de pacientes e da transmissão do vírus de mães para filhos, mas precisamos encontrar um melhor caminho para a redução da epidemia de HIV/AIDS no Brasil.

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